O olfato é um sentido fundamental para a qualidade de vida, embora muitas vezes seja subestimado. Ele está diretamente ligado ao prazer alimentar, à memória, às emoções e também à segurança, permitindo identificar cheiros como fumaça, gás ou alimentos estragados. Quando surgem alterações nesse sentido, o impacto pode ser significativo no dia a dia. Os distúrbios do olfato são mais comuns do que se imagina e podem ter diversas causas, exigindo atenção médica especializada.

O que são os distúrbios do olfato

Os distúrbios do olfato ocorrem quando há redução, perda ou alteração na capacidade de sentir cheiros. Eles podem se manifestar de diferentes formas. A hiposmia corresponde à diminuição do olfato, enquanto a anosmia é a perda total. Já a parosmia ocorre quando os cheiros são percebidos de forma distorcida, e a fantosmia se caracteriza pela sensação de odores inexistentes. Essas alterações podem surgir de maneira súbita ou gradual, temporária ou permanente, dependendo da causa.

Principais causas dos distúrbios do olfato

As causas mais frequentes estão relacionadas a problemas nasais e respiratórios. Rinite alérgica, sinusite, pólipos nasais e desvio de septo podem dificultar a passagem do ar até a região olfatória, prejudicando a percepção dos odores. Infecções virais das vias aéreas superiores, como gripes e resfriados, também são causas comuns, especialmente quando há inflamação prolongada da mucosa nasal.

Além disso, traumas cranianos podem lesar as estruturas responsáveis pela transmissão dos estímulos olfatórios ao cérebro. O envelhecimento natural também contribui para a redução progressiva do olfato, assim como o tabagismo, a exposição a substâncias químicas e alguns medicamentos. Em situações mais específicas, distúrbios neurológicos, como doença de Parkinson e Alzheimer, podem ter alterações do olfato como um dos primeiros sinais.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico dos distúrbios do olfato começa com uma avaliação clínica detalhada, na qual o otorrinolaringologista investiga o início dos sintomas, sua evolução e possíveis fatores associados. O exame físico das cavidades nasais é essencial para identificar inflamações, secreções, pólipos ou alterações estruturais.

Em muitos casos, a nasofibrolaringoscopia é utilizada para uma visualização mais completa das vias aéreas superiores. Testes específicos de olfato também podem ser realizados para avaliar a capacidade de identificar e diferenciar odores. Quando necessário, exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, ajudam a investigar causas mais profundas, como alterações neurológicas ou sinusais extensas.

Tratamento e possibilidades de recuperação

O tratamento depende diretamente da causa identificada. Quando o distúrbio está relacionado a inflamações nasais, o controle adequado da rinite ou da sinusite pode levar à recuperação parcial ou total do olfato. Em alguns casos, medicamentos específicos, como corticoides nasais, são indicados para reduzir a inflamação.

Situações estruturais, como pólipos nasais ou desvios importantes do septo, podem exigir tratamento cirúrgico. Já nos casos de origem neurológica ou após traumas, a recuperação pode ser mais limitada, mas o acompanhamento médico é fundamental para definir expectativas e estratégias de reabilitação, como o treinamento olfatório.

Quando buscar ajuda médica

É importante procurar um otorrinolaringologista sempre que houver perda ou alteração do olfato persistente, especialmente se os sintomas durarem mais de algumas semanas. Mudanças súbitas, distorções intensas dos cheiros ou associação com outros sintomas, como dor de cabeça, sangramentos nasais frequentes ou alterações neurológicas, também exigem avaliação imediata.

Cuidar do olfato é cuidar da saúde como um todo. O diagnóstico precoce aumenta as chances de identificar a causa correta e iniciar o tratamento mais adequado, preservando a qualidade de vida e o bem-estar.