Roncar durante o sono é uma queixa muito comum e, muitas vezes, encarada apenas como um desconforto para quem dorme ao lado. No entanto, em alguns casos, o ronco pode ser um sinal de alterações mais importantes na respiração durante o sono, como a apneia obstrutiva do sono.

Embora os dois problemas estejam relacionados, ronco e apneia não são a mesma coisa. Entender essa diferença é fundamental para reconhecer sinais de alerta e buscar o tratamento adequado.

O que causa o ronco

O ronco acontece quando há dificuldade na passagem do ar pelas vias respiratórias durante o sono. Isso provoca vibração dos tecidos da garganta, gerando o som característico.

Diversos fatores podem contribuir para o ronco, como obstrução nasal, excesso de peso, consumo de álcool, posição ao dormir e alterações anatômicas da garganta ou do nariz.

Em muitos casos, o ronco pode ocorrer sem representar uma doença grave. Porém, quando é frequente e intenso, merece atenção.

O que é a apneia do sono

A apneia obstrutiva do sono acontece quando há interrupções repetidas da respiração durante o sono. Essas pausas ocorrem porque as vias aéreas se fecham parcial ou totalmente por alguns segundos.

Durante esses episódios, o organismo recebe menos oxigênio e o cérebro precisa “despertar” brevemente para retomar a respiração. Muitas vezes, a pessoa não percebe esses despertares, mas eles fragmentam o sono e prejudicam o descanso.

O ronco costuma estar presente na apneia, mas nem todo mundo que ronca tem apneia.

Principais diferenças entre ronco e apneia

A principal diferença é que o ronco isolado produz ruído, mas não necessariamente interrompe a respiração. Já na apneia, existem pausas respiratórias reais, que podem comprometer a oxigenação do organismo.

Pessoas com apneia costumam apresentar sintomas como sono não reparador, cansaço excessivo durante o dia, dificuldade de concentração, dor de cabeça ao acordar e sonolência diurna.

Além disso, é comum que familiares percebam pausas na respiração durante a noite, seguidas por engasgos ou retomadas bruscas da respiração.

Quando o ronco merece investigação

Nem todo ronco indica apneia, mas alguns sinais sugerem a necessidade de avaliação especializada.

Ronco intenso e frequente, pausas respiratórias observadas durante o sono, cansaço constante, dificuldade para dormir bem e sonolência excessiva durante o dia são exemplos de sinais de alerta.

A presença de hipertensão arterial, obesidade e respiração oral também pode aumentar o risco de apneia do sono.

Como é feito o diagnóstico

A avaliação começa pela análise dos sintomas e exame clínico realizado pelo otorrinolaringologista. Em muitos casos, é necessário realizar exames específicos do sono, como a polissonografia.

Esse exame monitora a respiração, oxigenação, frequência cardíaca e atividade cerebral durante o sono, ajudando a identificar pausas respiratórias e a gravidade do quadro.

A investigação também pode incluir avaliação da anatomia nasal e da garganta para identificar fatores que dificultam a passagem de ar.

Existe tratamento?

Sim. Tanto o ronco quanto a apneia têm tratamento, e a abordagem depende da causa e da gravidade do problema.

Mudanças no estilo de vida, controle do peso, melhora da respiração nasal e ajustes na posição ao dormir podem ajudar em casos leves.

Já na apneia, podem ser indicados dispositivos específicos, tratamentos clínicos ou até cirurgias para melhorar a passagem de ar durante o sono.

A importância de cuidar da qualidade do sono

Dormir bem vai muito além de descansar. Alterações respiratórias durante o sono podem impactar a disposição, a concentração e até a saúde cardiovascular.

Por isso, ronco frequente nunca deve ser totalmente ignorado. Identificar precocemente sinais de apneia é essencial para melhorar a qualidade do sono e a qualidade de vida.