O refluxo laringofaríngeo é uma condição bastante frequente na prática do otorrinolaringologista e, ainda assim, pouco reconhecida pela população. Diferente do refluxo gastroesofágico clássico, que costuma causar azia e queimação no peito, o refluxo laringofaríngeo pode se manifestar de forma silenciosa, atingindo principalmente a garganta e a laringe. Por isso, muitas pessoas convivem com os sintomas por meses ou até anos sem um diagnóstico adequado.

O que é o refluxo laringofaríngeo

O refluxo laringofaríngeo ocorre quando o conteúdo ácido do estômago retorna até regiões mais altas, como a faringe e a laringe. Essas estruturas não possuem mecanismos de proteção eficientes contra o ácido, tornando-se mais suscetíveis à inflamação mesmo com pequenas quantidades de refluxo. Isso explica por que o paciente pode apresentar sintomas importantes sem relatar azia ou desconforto gástrico.

Sintomas silenciosos mais comuns

Os sintomas do refluxo laringofaríngeo costumam ser persistentes e, muitas vezes, confundidos com problemas alérgicos ou respiratórios. Entre os sinais mais frequentes estão pigarro constante, sensação de bolo ou algo preso na garganta, tosse seca crônica, rouquidão recorrente, ardência ou desconforto ao engolir e necessidade frequente de limpar a voz.
Alguns pacientes também relatam gosto amargo na boca ao acordar, sensação de garganta seca e piora dos sintomas após falar por longos períodos. Por serem sintomas inespecíficos, é comum que o diagnóstico seja tardio, atrasando o início do tratamento adequado.

Fatores que favorecem o aparecimento do refluxo

Diversos fatores podem contribuir para o desenvolvimento do refluxo laringofaríngeo. Hábitos alimentares inadequados estão entre os principais, como consumo excessivo de alimentos gordurosos, frituras, chocolate, café, bebidas alcoólicas e alimentos muito condimentados.
Além disso, comer grandes volumes à noite, deitar logo após as refeições, excesso de peso, tabagismo e estresse frequente aumentam a chance de refluxo. Alterações anatômicas, como hérnia de hiato, também podem estar associadas ao problema, assim como o uso excessivo da voz em pessoas que já apresentam inflamação da laringe.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do refluxo laringofaríngeo é baseado na avaliação clínica detalhada e no exame otorrinolaringológico. Durante a consulta, o médico investiga o padrão dos sintomas, sua duração e fatores que pioram ou aliviam o quadro.
A nasofibrolaringoscopia é um exame importante nesse processo, pois permite visualizar sinais de inflamação na laringe, como vermelhidão, edema e espessamento das pregas vocais. Em alguns casos, exames complementares podem ser solicitados para afastar outras causas ou avaliar a associação com o refluxo gastroesofágico.

Tratamento e controle dos sintomas

O tratamento do refluxo laringofaríngeo envolve mudanças no estilo de vida e, quando indicado, uso de medicações. Ajustes na alimentação são fundamentais, assim como evitar refeições volumosas à noite, reduzir alimentos que estimulam o refluxo e elevar a cabeceira da cama.
Medicamentos que diminuem a produção de ácido gástrico podem ser prescritos por períodos determinados, sempre com acompanhamento médico. O controle adequado costuma levar à melhora progressiva dos sintomas e à redução da inflamação da laringe.

Quando procurar ajuda médica

Sintomas persistentes na garganta, rouquidão frequente ou tosse crônica sem causa aparente não devem ser ignorados. A avaliação com o otorrinolaringologista é essencial para identificar o refluxo laringofaríngeo e iniciar o tratamento adequado, prevenindo complicações e preservando a saúde da voz e da qualidade de vida.