O bruxismo do sono é caracterizado pelo hábito involuntário de apertar ou ranger os dentes enquanto a pessoa dorme. Muitas vezes, esse comportamento só é percebido quando alguém relata o barulho ou quando surgem sintomas como dor na mandíbula, desgaste dos dentes, dores de cabeça ao acordar ou tensão muscular na face.

Durante muito tempo, acreditou-se que o bruxismo estivesse relacionado apenas ao estresse ou à ansiedade. Hoje, sabe-se que sua origem é multifatorial e que, em alguns casos, alterações respiratórias durante o sono podem estar envolvidas no seu aparecimento ou agravamento.

O que é o bruxismo do sono?

O bruxismo do sono é considerado um distúrbio do movimento relacionado ao sono. Durante determinados estágios do descanso, podem ocorrer contrações involuntárias da musculatura da mastigação, levando ao apertamento ou ranger dos dentes.

Nem todas as pessoas apresentam sintomas importantes, mas, quando frequente, o bruxismo pode causar desgaste dentário, dores na articulação temporomandibular (ATM), desconforto facial e prejuízo à qualidade de vida.

Por isso, identificar os fatores que favorecem esse comportamento é uma etapa importante da investigação.

Qual é a relação entre bruxismo e respiração?

Nos últimos anos, estudos demonstraram que algumas pessoas com distúrbios respiratórios do sono apresentam maior frequência de episódios de bruxismo.

Quando ocorre uma dificuldade para a passagem do ar durante o sono, o organismo pode desencadear pequenos despertares inconscientes, conhecidos como microdespertares. Esses eventos ativam diferentes músculos do corpo, incluindo os da mastigação, favorecendo episódios de apertamento dos dentes.

Isso não significa que toda pessoa com bruxismo tenha um problema respiratório, nem que toda alteração respiratória provoque bruxismo. No entanto, a associação entre essas condições já é bem reconhecida na literatura científica.

Quais problemas respiratórios podem estar envolvidos?

Entre as condições mais frequentemente associadas estão o ronco e a apneia obstrutiva do sono. Nessas situações, ocorre uma redução ou interrupção temporária da passagem de ar durante o sono, levando o organismo a realizar pequenos despertares para restabelecer a respiração.

Além disso, obstruções nasais causadas por rinite, desvio de septo, aumento das adenoides ou hipertrofia dos cornetos também podem dificultar a respiração nasal e contribuir para um sono menos reparador.

Embora essas alterações não sejam a única causa do bruxismo, elas podem favorecer seu aparecimento em pessoas predispostas.

Quando é importante investigar?

A investigação é recomendada quando o bruxismo ocorre com frequência, provoca desgaste importante dos dentes, dores na mandíbula ou está associado a ronco intenso, pausas respiratórias percebidas por familiares, sono agitado, sonolência excessiva durante o dia ou cansaço ao acordar.

Nesses casos, avaliar apenas os dentes pode não ser suficiente. Também é importante investigar se existe algum distúrbio respiratório do sono contribuindo para o problema.

O otorrinolaringologista pode avaliar possíveis alterações das vias aéreas superiores, enquanto outros profissionais podem participar da investigação e do tratamento, quando necessário.

Como é feito o tratamento?

O tratamento depende da causa identificada. Quando há um distúrbio respiratório do sono, controlar essa condição pode contribuir para reduzir os episódios de bruxismo.

Também podem ser indicadas medidas para proteger os dentes, orientações sobre higiene do sono e acompanhamento multidisciplinar, envolvendo o dentista, o otorrinolaringologista e, quando necessário, outros especialistas.

Mais do que aliviar os sintomas, identificar a origem do problema permite um tratamento mais completo e melhora a qualidade do sono, da respiração e da saúde bucal.