Respirar pela boca durante o sono pode parecer um hábito inofensivo, especialmente quando acontece ocasionalmente durante um período de resfriado ou congestão nasal. Porém, quando a respiração oral se torna frequente, pode indicar que existe alguma dificuldade para a passagem adequada do ar pelo nariz.

Esse padrão respiratório é relativamente comum em crianças, mas também pode ocorrer em adultos. A longo prazo, a respiração oral durante o sono pode comprometer a qualidade do descanso, favorecer sintomas durante o dia e estar relacionada a diferentes condições que precisam ser investigadas.

Por que algumas pessoas respiram pela boca enquanto dormem?

A respiração oral geralmente acontece quando existe alguma dificuldade para respirar adequadamente pelo nariz.

Entre as causas mais comuns estão a rinite, o aumento das adenoides, a hipertrofia dos cornetos nasais e o desvio de septo. Infecções respiratórias e outras condições que provocam congestão nasal também podem levar temporariamente à respiração pela boca.

Em algumas pessoas, o hábito pode persistir mesmo depois que a causa inicial desaparece. Por isso, identificar o motivo da obstrução nasal é fundamental para definir o tratamento adequado.

Quais são os impactos durante o sono?

A respiração pela boca pode estar associada a alterações na qualidade do sono. O ressecamento da boca e da garganta pode causar desconforto, sede e irritação durante a noite ou ao acordar.

Além disso, a obstrução nasal pode favorecer o ronco e, em alguns casos, estar relacionada a alterações respiratórias durante o sono, como a apneia obstrutiva do sono.

Quando o sono é fragmentado ou pouco reparador, a pessoa pode acordar cansada, apresentar sonolência durante o dia e ter dificuldade de concentração.

Nas crianças, alterações persistentes na respiração durante o sono merecem atenção especial, pois podem interferir na disposição, no desempenho escolar e no desenvolvimento adequado das funções relacionadas à respiração e à qualidade do sono.

Respiração oral e ronco são a mesma coisa?

Não. A respiração oral e o ronco são fenômenos diferentes, embora possam estar relacionados.

A pessoa pode respirar pela boca sem roncar. Da mesma forma, o ronco pode ocorrer por diferentes mecanismos e não significa necessariamente que exista respiração oral.

Quando os dois sintomas aparecem juntos, entretanto, pode haver uma obstrução nas vias respiratórias que precisa ser investigada.

Pausas na respiração durante o sono, engasgos noturnos, sono agitado e sonolência excessiva durante o dia são sinais que merecem atenção.

Como investigar a causa?

A avaliação começa com uma análise detalhada dos sintomas, dos hábitos durante o sono e da respiração ao longo do dia.

O otorrinolaringologista pode avaliar o nariz, a garganta e outras estruturas envolvidas na passagem do ar. Dependendo da suspeita clínica, exames complementares podem ser indicados para investigar alterações anatômicas, inflamações ou distúrbios respiratórios do sono.

Em algumas situações, uma avaliação específica do sono também pode ser necessária.

Existe tratamento?

O tratamento depende da causa da respiração oral. Pessoas com rinite podem precisar de medidas para controlar a inflamação nasal, enquanto alterações anatômicas ou aumento de determinadas estruturas podem exigir outras abordagens.

Em todos os casos, o objetivo é melhorar a passagem de ar pelo nariz e tratar a condição responsável pela obstrução.

A respiração oral durante o sono não deve ser vista apenas como um hábito. Quando é frequente, pode ser um sinal de que algo está dificultando a respiração nasal. A investigação adequada permite identificar a causa e buscar estratégias para melhorar a qualidade do sono e a saúde respiratória.