A adenoide e as amígdalas são estruturas importantes do sistema imunológico infantil, localizadas atrás do nariz e no fundo da garganta, respectivamente. Durante a infância, respondem a infecções e, por isso, podem aumentar de tamanho. No entanto, quando essa hipertrofia começa a interferir na respiração, na saúde geral ou no desenvolvimento, pode ser necessário considerar a cirurgia — e esse é o momento certo para envolver o otorrinolaringologista.

Entendendo as estruturas

A adenoide (tonsila faríngea) e as amígdalas (tonsilas palatinas) fazem parte do anel linfático de Waldeyer, atuando como barreiras de defesa contra vírus e bactérias. Geralmente, o tecido cresce na infância e tende a involuir com a idade. Mas, quando esse aumento é exagerado, pode causar obstrução nasal, respiração bucal e até infecções de repetição.

Quando a cirurgia é avaliada?

A adenoidectomia (remoção da adenoide) ou amigdalectomia (remoção das amígdalas) deve ser considerada em situações em que o tecido excessivo deixa de proteger e passa a atrapalhar. Entre os principais sinais de alerta estão:

  • Obstrução nasal persistente, que leva à respiração bucal e roncos;
  • Infecções frequentes, como amigdalites, otites ou sinusites recorrentes;
  • Apneia do sono, o que afeta a qualidade do sono e o desenvolvimento;
  • Problemas no desenvolvimento facial, como má oclusão dentária e alterações no crescimento, bem como dificuldades na fala ou aprendizado.

Critérios clínicos e estéticos

Não é apenas o tamanho das amígdalas ou da adenoide que define a indicação cirúrgica, mas a combinação de sintomas e resultados de exames. Os critérios clássicos para considerar amigdalectomia incluem:

  • Pelo menos 7 episódios de garganta inflamada em 1 ano; ou 5 episódios por ano durante 2 anos consecutivos; ou 3 episódios por ano em 3 anos consecutivos.

Da mesma forma, obstrução nasal grave, dificuldade de dormir, ronco e infecções persistentes justificam a adenoidectomia.

Como é feita a cirurgia?

O procedimento é indicado apenas após avaliação clínica rigorosa, exames de imagem ou endoscopia nasofaringeana, e feito por otorrinolaringologista. A adenoidectomia é rápida, realizada sob anestesia geral, frequentemente com alta no mesmo dia e recuperação tranquila.

Quando indicada, pode ser realizada isoladamente ou combinada com amigdalectomia ou colocação de tubos de ventilação (quando existem otites recorrentes).

Benefícios e cuidados no pós-operatório

A cirurgia melhora a respiração, reduz infecções, ronco e crises de apneia, além de favorecer melhores noites de sono, desenvolvimento físico e aprendizado. A recuperação é rápida, com alimentação pastosa e cuidados simples em casa.

Complicações graves são raras, mas podem ocorrer sangramentos ou infecções, o que reforça a importância do acompanhamento médico no pós-operatório.

Conclusão

A decisão por cirurgia de adenoide ou amígdalas não é baseada apenas no aumento dessas estruturas, mas na repercussão dos sintomas na vida da criança ou adulto. Quando há obstrução significativa, infecções recorrentes ou comprometimento do sono e do desenvolvimento, a intervenção cirúrgica é uma solução segura e eficaz.

O otorrinolaringologista é o profissional ideal para avaliar cada caso com cuidado, indicar o tratamento mais apropriado — seja clínico ou cirúrgico — e acompanhar a recuperação, sempre com foco na qualidade de vida.